
Temperamento colérico é impulso, não raiva
O colérico é o canto do fogo entre os quatro temperamentos: muita atividade apontada para um resultado e uma reação que chega com força total e leva tempo para assentar. Aqui está o retrato inteiro, o que ele custa, e de onde vem a fama de pavio curto.
- Elemento: fogo
- Atividade alta, reação forte
- Lidera em três dos treze perfis
Este é o perfil típico do tipo, calculado pelo mesmo motor que pontua um resultado real. Mesmo uma pessoa fortemente colérica carrega uma parte dos outros três temperamentos.
O que a palavra colérico quer dizer de verdade
Fora deste assunto a palavra sobrevive quase só como xingamento, e é por isso que a busca «temperamento colérico é ruim» existe. Como temperamento ela nomeia algo sem veredito dentro: atividade alta apontada para um resultado, mais uma reação que começa em força total em vez de ir aquecendo. Raiva é uma das coisas que podem sair daí. Decisão é outra, e é a mais frequente.
O nome tem cerca de dois mil anos e vem da bile amarela, um dos quatro líquidos do corpo que os médicos antigos usavam para explicar o caráter. O líquido saiu da medicina faz tempo. O que ficou foi a observação: parte das pessoas age antes de a situação ficar confortável e segura a mira enquanto a pressão continua, e é isso que oito escalas medem.
Como é uma pessoa colérica
A primeira coisa que se nota é que a decisão já foi tomada. Enquanto a sala ainda recolhe opiniões, a pessoa colérica escolheu uma direção e está conferindo quem vem junto. Estar errado é um custo que este tipo aceita com facilidade; ficar parado não é.
A segunda coisa é para onde a energia aponta. Não para as pessoas, como o sanguíneo aponta, nem para dentro, como o melancólico, e sim para o resultado. As pessoas importam dentro da moldura da tarefa: quem faz o quê, quem está travando, a quem é preciso dizer algo com todas as letras. Esse foco é o motivo de coléricos acabarem no comando de coisas para as quais ninguém os nomeou.
A terceira coisa é a duração da reação. Ela começa no volume cheio e depois leva tempo de verdade para descer. Uma hora depois de uma conversa dura a pessoa colérica ainda está dentro dela, repassando argumentos, querendo terminar o ponto. É essa parte que é lida como pavio curto, e é também a parte que a mantém trabalhando numa coisa muito depois de o entusiasmo da sala ter acabado.
Um dia colérico
- ManhãDuas decisões antes de o dia começar oficialmente. Nenhuma delas precisou de reunião.
- Meio do diaAlguma coisa travou. Ela é empurrada, e o empurrão custa um pouco de conforto a outra pessoa.
- NoiteO trabalho terminou e a discussão do meio-dia não. Ela está sendo repassada com falas melhores.
- No dia seguinteO ponto é encerrado, limpo e curto. O outro lado achava que já tinha acabado.
Isso parece com você?
Cinco frases que separam o colérico dos dois tipos com que ele é mais confundido: o sanguíneo, que também anda rápido, e o melancólico, que também segura uma reação por muito tempo. Nada é guardado em lugar nenhum, as respostas ficam nesta aba.
01Assumo o comando quando ninguém assume, e isso parece comum e não corajoso
02Esperar por uma decisão me custa mais que tomar a errada
03Respondo antes de a pergunta terminar, e muitas vezes acerto
04Uma discussão inacabada fica comigo por horas depois de parar
05Explicação lenta de coisas que já entendi me cansa fisicamente
Pontos fortes de quem é colérico
Quatro coisas que este temperamento faz melhor que os outros três. Cada uma tem um preço, e o preço está no bloco seguinte sob o mesmo número.
- 01
Decide enquanto os outros pesam
Uma decisão tomada com informação parcial e corrigida depois ganha de uma decisão perfeita tomada tarde demais. Coléricos vivem por essa troca, e na maioria das situações a troca está certa.
- 02
Faz andar o que travou
Onde um projeto parou em silêncio e todo mundo está sendo educado sobre isso, esta é a pessoa que dá nome e empurra. Desconfortável, e em geral o motivo de a coisa sair.
- 03
Segura a meta sob pressão
A pressão estreita este tipo em vez de espalhar. Quando as condições pioram, a pessoa colérica costuma ficar mais focada e não menos, e isso é raro.
- 04
Diz a coisa sem rodeio
A notícia ruim chega direta e cedo aqui. Arde, e é muito mais útil que a versão que todo mundo estava preparando para suavizar por mais uma semana.
Pontos fracos, e o preço de cada um
Os mesmos quatro números de cima. Um ponto fraco aqui é o preço da força correspondente, não um defeito separado pendurado na pessoa.
- 01
A velocidade soa como pressão
O que por dentro parece passo normal, por fora parece atropelo. Quem precisa de mais tempo para pensar começa a concordar em vez de pensar, e a qualidade da sala cai.
- 02
Empurrar custa relações
A mesma força que destrava um projeto é aplicada às pessoas que são o obstáculo. Depois o projeto anda e alguém, em silêncio, parou de falar com você.
- 03
O foco vira teimosia
Segurar a meta sob pressão é força até o momento em que a meta está errada. Este tipo é o último a perceber que ela mudou.
- 04
Fala direta cai como desprezo
Brevidade sem calor é lida como descaso, ainda mais por escrito. O conteúdo estava certo e a mensagem que chegou foi sobre o valor da pessoa.
Como o tipo colérico aparece nas oito escalas
Os quatro nomes ficam em cima do modelo. Embaixo estão oito escalas, e são elas que são medidas. Aqui está a faixa em que um resultado colérico costuma cair.
- EnergiaA mais alta das oito: um dia parado custa mais energia que um dia cheio
- SociabilidadeAcima do meio: as pessoas entram em volta de uma tarefa, não pelo contato em si
- RitmoAlto: decisão, fala e troca correm todas rápido
- FlexibilidadePerto do meio: os planos mudam sem drama, a meta atrás deles não
- ReatividadeAlta: a reação chega em força total sem aquecimento
- RecuperaçãoAbaixo do meio: descer leva horas, e é esta a parte lida errado
- SensibilidadeAcima do meio: interrupção e lentidão registram como irritação física
- PersistênciaAlta: o esforço se sustenta muito depois de o interesse ter acabado
Esta é a faixa típica do tipo no nosso modelo, não uma norma populacional e não o seu resultado. Norma de verdade precisa de dados publicados, ainda não temos, e fingir o contrário seria desonesto.
Uma pessoa colérica no trabalho
O temperamento não escolhe a profissão, ele escolhe um ambiente confortável. A pessoa colérica trabalha melhor onde decidir é permitido, onde o resultado é mensurável e onde a distância entre decidir uma coisa e fazer essa coisa é curta. Cargo não é o requisito. Permissão para agir é.
A falha clássica não é conflito com a chefia, é um sistema em que cada passo pede três aprovações. Nesse arranjo o tipo gasta a energia inteira no processo em vez de gastar na tarefa, e a irritação que vem depois é lida como problema de caráter quando é problema de desenho.
Onde sai fácil
- Titularidade clara: este resultado é meu para entregar
- Prazos que querem dizer alguma coisa e resultado que dá para conferir
- Trabalho de crise, lançamento, qualquer coisa naufragando que precisa de virada
- Colegas que discordam de frente em vez de concordar e travar
Onde emperra
- Cadeias de aprovação sem ninguém responsável no fim
- Reuniões que repetem uma decisão já tomada
- Trabalho cuja qualidade ninguém consegue medir
- Funções em que a principal habilidade é esperar com paciência
Profissão não decorre de temperamento. Duas pessoas com a mesma fórmula fazem o mesmo trabalho de jeitos diferentes, e as duas podem ser boas nele. O que decorre do temperamento é quais partes do trabalho vão custar mais energia do que parece que deveriam.
Nos relacionamentos e na conversa
Coléricos são mais fáceis de ter perto do que o estereótipo sugere, com uma condição: que a outra pessoa diga as coisas com todas as letras. Indireta não é lida aqui, ela é perdida, e a perda é honesta e não desdenhosa. O que parece insensibilidade é muitas vezes uma mensagem que nunca chegou.
No conflito este tipo escala cedo e termina tarde. A escalada é alta, a recuperação é lenta, e as duas metades costumam ser sobre o assunto e não sobre a pessoa. O estrago que fica vem das frases ditas em velocidade máxima nos dois primeiros minutos, e é justamente essa a parte que dá para treinar.
Se você mora ou trabalha com alguém colérico
- 01Diga o que você quer de forma direta. Indireta é lida como ausência de objeção.
- 02Discorde na hora, não depois. Objeção atrasada soa como sabotagem para este tipo.
- 03Dê um motivo e um prazo. Os dois são respeitados aqui, e nenhum é negociável no abstrato.
- 04Deixe a reação descer antes de continuar. Vinte minutos mudam a conversa mais que qualquer argumento.
Uma pessoa colérica sob estresse
A resposta padrão é agir: assumir o controle, cortar escopo, empurrar mais forte, consertar agora. Funciona vezes o bastante para virar hábito, e é por isso que este é o tipo que você quer por perto quando alguma coisa está de fato pegando fogo.
A falha é o que acontece quando não dá para agir sobre a situação. Aí a mesma energia vira hostilidade, vira varar a noite trabalhando, vira decidir coisas que não precisavam ser decididas hoje. O sinal não é o grito, é uma pessoa que não consegue parar de trabalhar e está com raiva de quem tenta ajudar.
O que ajuda
- Carga física primeiro, antes de qualquer conversa
- Uma coisa que de fato dá para controlar, nomeada e feita hoje
- Alguém que responde de volta e não se encolhe
- Uma hora fixa de encerrar o dia, marcada por outra pessoa se for preciso
Este teste é uma ferramenta de autoconhecimento, não um diagnóstico médico ou psicológico.
O que fazer com isso
Temperamento não é trocado, e nenhuma página honesta vai oferecer trocar o seu. O que muda é o jeito de gastar, e quatro coisas mexem no resultado mais que o resto.
- 01
Compre de volta os dois primeiros minutos
Quase todo o estrago duradouro acontece no começo de uma reação. Esperar o volume cair antes de responder não custa nada e muda o desfecho mais que qualquer outra coisa desta lista.
- 02
Pergunte antes de empurrar
Uma pergunta sobre por que a coisa travou costuma achar um motivo que você não tinha. O empurrão funciona melhor depois, e custa uma relação a menos.
- 03
Defina uma regra para mudar de ideia
Decida antes qual evidência faria você largar a meta. Sem essa regra, segurar sob pressão fica indistinguível de estar errado por mais tempo.
- 04
Acrescente a frase que suaviza
Não mais palavras: uma frase sobre o que você valoriza na pessoa ou no trabalho. Franqueza sem ela é lida como desprezo, e o conteúdo se perde.
Colérico puro, e as combinações que ele lidera
Um tipo puro não é o resultado padrão. Neste modelo um temperamento conta como puro só quando está pelo menos catorze pontos à frente do seguinte, o que é uma distância de verdade e não um efeito de arredondamento. A maioria das pessoas que se reconhece aqui vai sair como combinação, com um segundo temperamento logo atrás.
O colérico lidera em três dos treze perfis: sozinho, com o sanguíneo em segundo e com o melancólico em segundo. O segundo nome muda muito o quadro. Aquecido pelo ar, o impulso junta gente em volta; assentado na terra, ele vira ofício exigente e paciente.
Duas combinações lideradas pelo colérico
Impulso que leva as pessoas junto em vez de passar por cima delas. A pressão é real e é calorosa.
Força mais exatidão. A combinação mais exigente do modelo, com os outros e consigo mesma.
Uma combinação nunca sai: colérico com fleumático. Eles ficam em cantos opostos dos dois eixos, então qualquer que lidere, o outro é empurrado para o último lugar. Quando alguém se reconhece nos dois, costuma haver outra coisa acontecendo, e existe uma página sobre exatamente isso.
Quatro coisas que as pessoas erram sobre quem é colérico
Colérico é pessoa raivosa.
Raiva é uma saída possível para uma reação rápida e forte. Decisão, senso de urgência e fôlego saem do mesmo traço, e são bem mais comuns num dia de trabalho.
Colérico é o temperamento ruim.
Todo tipo é um conjunto de forças com custos correspondentes. Este é julgado com mais dureza porque os custos dele aparecem em público, enquanto o atraso fleumático e o silêncio melancólico não aparecem.
Coléricos são líderes natos.
Eles assumem o comando com facilidade, o que é uma afirmação diferente. Conduzir bem precisa de paciência com o ritmo das outras pessoas, e é justamente essa a parte que este temperamento tem de aprender de propósito.
Coléricos não se importam com o que os outros sentem.
Eles costumam perder a indireta em vez de ignorar. Dito com todas as letras, a mesma coisa chega e é tratada, muitas vezes mais rápido que com qualquer outro tipo.
Os outros três tipos
Uma linha para cada, com a página que cobre ele por inteiro. A comparação dos quatro numa tabela só mora na página principal.

SanguíneoAr
A mesma velocidade, apontada para as pessoas em vez do resultado, e que solta bem antes.
Sanguíneo
FleumáticoÁgua
O canto oposto: um passo parelho que dura mais que a pressão em vez de encarar ela de frente.
Fleumático
MelancólicoTerra
A mesma reação longa, sem o empurrão: profundidade, detalhe e régua alta virados para dentro.
Melancólico
Perguntas que as pessoas fazem sobre o tipo colérico
01Temperamento colérico é ruim?
Não, e a pergunta vem da palavra e não do tipo. Colérico nomeia atividade alta apontada para uma meta mais uma reação forte e lenta para assentar. Isso produz decisão, senso de urgência e fôlego com a mesma facilidade com que produz uma resposta cortante. Todo temperamento tem custos; este paga os dele em público, e por isso é o mais julgado.
02Como é uma pessoa colérica?
Decidida, direta e rápida, com a energia apontada para resultados e não para o contato. Assume o comando sem ser chamada, diz a coisa sem rodeio cedo, e fica dentro de uma discussão por horas depois de ela parar. Sob pressão fica mais estreita e mais focada em vez de se espalhar.
03Quais são os pontos fracos do colérico?
São quatro, cada um o preço de uma força: velocidade que cai nas outras pessoas como pressão, força aplicada a quem está no caminho, foco que segura uma meta depois de ela ter deixado de ser a certa, e fala direta lida como desprezo. Nenhum se conserta pedindo calma.
04Como diferenciar colérico de sanguíneo?
Os dois andam rápido, então a velocidade não separa. Olhe a recuperação. A pessoa sanguínea volta ao normal em horas e raramente segura o fio; a colérica guarda a meta, continua empurrando e desce devagar. No modelo essa diferença fica no eixo da estabilidade, não no da atividade.
05O temperamento colérico pode mudar?
O núcleo é estável e a expressão não é. O que dá para mudar são os dois primeiros minutos de uma reação, que é onde quase todo o estrago acontece, e o hábito de perguntar antes de empurrar. Refazer o teste depois de um ano mostra qual parte de fato se mexeu.
Descubra quanto de colérico você carrega de fato
166 frases, 15 a 20 minutos, sem conta. Você recebe quatro partes que somam 100, as oito escalas com o meio marcado, e um retrato escrito do perfil em que você cair.
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